Vítimas de enchente cobram limpeza da rede de esgoto em favela na zona oeste de Ribeirão

São Paulo

Moradores contabilizam prejuízos e dizem que problema é recorrente há 20 anos. Prefeitura mobiliza equipes para atender população e atribui transbordamento a ligações clandestinas. Há dois dias os moradores do Núcleo Vida Nova, conhecida como Favela da Aids, na zona oeste de Ribeirão Preto (SP), tentam limpar e recuperar o que foi atingido por mais uma enchente, durante um temporal na noite da última terça-feira (9).
O problema é recorrente há pelo menos 20 anos. Água e esgoto invadem casas e barracos, destruindo móveis, eletrodomésticos a até alimentos. As famílias cobram a limpeza de bueiros e da rede de esgoto em alguns pontos da comunidade.
Em nota, a Prefeitura informou que as famílias desalojadas podem solicitar abrigo provisório na Casa de Passagem. Quanto à rede de esgoto, deve ser desobstruída até sábado (13), mas o governo atribui o transbordamento à “grande quantidade de ligações clandestinas”.
Esgoto a céu aberto no Núcleo Vida Nova na zona oeste de Ribeirão Preto
Ronaldo Gomes/EPTV
“A água entrou muito forte e molhou tudo na cozinha, todas as coisas. É sempre assim, toda vez que chove é a mesma coisa. Molhou minha geladeira, mantimentos. A gente desiste de ficar arrumando”, reclama a dona de casa Luciana Aparecida Procópio.
Voluntária do projeto “Anjos da Rua”, a corretora de imóveis Daniela de Castro conta que a distribuição de 200 marmitas foi prejudicada devido à enchente. A escolinha montada pela Organização Não-Governamental (ONG) também foi atingida.
“Quando chove, alaga tudo, vira um caos e eles não têm o que fazer. A gente vê na TV, ouve falar, mas na hora que a gente vivenciou, foi muito triste. Não poder ajudar mais e ver o sofrimento que eles estavam passando, foi muito triste”, afirma.
Lama invadiu os móveis no barraco de Juliana Batista de Araújo em Ribeirão Preto
Ronaldo Gomes/EPTV
A dona de casa Juliana Batista de Araújo mora na comunidade com os três filhos, de 2, 3 e 9 anos, e diz que o barraco foi invadido por 35 escorpiões durante a enchente. O filho mais velho chegou a ser picado, foi levado ao hospital e passa bem.
“A água sobe, invade o gabinete, as panelas. Perdemos tudo, roupa das crianças. O fogão não quer funcionar mais, eu desentupi, fiz de tudo, mas não resolveu. Até o meu barraco está com perigo de cair por causa da água forte”, lamenta.
Moradora do Núcleo Vida Nova há nove anos, a dona de casa Luana Procópio conta que perdeu dois barracos durante enchentes. Agora, a casa de alvenaria construída com apoio dos vizinhos, também foi invadida por água e esgoto na terça-feira.
“Falta desentupir o principal, que é o bueiro. Quando chove, desce um rio, o bueiro vira um chafariz, começa a sair terra e água. Isso não tem para onde ir e começa a entrar nas casas de todo mundo, na minha também. Toda vez que chove é a mesma coisa.”
Luana também cobra um projeto de saneamento básico para a comunidade, reclamando que o esgoto a céu aberto coloca em risco a saúde dos moradores.
“A gente precisa de um bote para sair de casa. A água chega na canela. A gente se sente abandonada. Para pedir voto, vem todo mundo. Quando elege prefeito, a primeira coisa que eles fazem é vir aqui. Agora, ninguém faz nada”, desabafa.
A dona de casa Luana Procópio perdeu parte dos móvies na enchente em Ribeirão Preto
Ronaldo Gomes/EPTV
Serviços públicos
Em nota, a Prefeitura informou que as famílias desalojadas podem solicitar abrigo provisório na Casa de Passagem. Quanto à desobstrução da rede de esgoto, o serviço será realizado até sábado. Entretanto, o governo atribui o transbordamento às ligações clandestinas.
Ainda segundo a administração, equipes da Guarda Civil Municipal, da Defesa Civil e da Secretaria de Assistência Social já estão mobilizadas para atuar em conjunto, prestando atendimento à população, em casos de alagamentos e enchentes.
“Como medida do governo municipal para minimizar o déficit habitacional na cidade, foi criado o programa de Regularização Fundiária. Por meio de um decreto, foi instituído o programa de regularização que não existia em Ribeirão Preto. Trinta e cinco comunidades serão regularizadas, sendo que 12 delas já estão em processo de regularização”, informou.
Esgoto a céu aberto no Núcleo Vida Nova em Ribeirão Preto
Ronaldo Gomes/EPTV
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