Com produção recorde, CNA pede mais recursos para estocar café

Economia

Maior produtor e exportador global do produto, o Brasil colheu uma safra de quase 60 milhões de sacas de 60 kg de café neste ano. Cotações do café arábica no mercado internacional atingiram mínimas de mais de 12 anos em meados de setembro
Vinícius Gonçalves/ TV Gazeta
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou na sexta-feira (5) que solicitou ao governo brasileiro mais recursos para a estocagem e o desenvolvimento de mecanismos de recuperação do preço do café, diante de uma safra recorde no país.
O Brasil, maior produtor e exportador global do produto, colheu uma safra de quase 60 milhões de sacas de 60 kg de café neste ano, segundo a estimativa oficial, o que tem adicionado pressão sobre as cotações no mercado internacional do arábica, que atingiram mínimas de mais de 12 anos em meados de setembro.
“Tivemos uma safra de ciclo alto esse ano, e o fluxo de entrada é forte, então nós queremos financiar o produtor com um valor que seja atraente para que ele possa segurar o café e almejar preços melhores num futuro próximo”, disse o presidente da Comissão Nacional de Café da CNA, Breno Mesquita, em nota.
No mercado interno, contudo, a situação é diferente da registrada na bolsa ICE, uma vez que o dólar forte frente ao real ajuda a compensar a queda no valor do produto no exterior. Segundo o indicador Cepea/Esalq, o arábica está cotado a cerca de R$ 425 por saca, queda de apenas 3,5% ante o mesmo período do ano passado.
A CNA informou que defendeu, em encontro com a presença do secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Fazenda, Ivandré Montiel, e do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz, que os recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) possam ser realocados para a linha de financiamento da estocagem.
Dessa forma, os produtores poderiam aguardar o melhor momento para comercializar a safra, explicou a entidade.
Além disso, a confederação pediu que o valor financiável por saca não seja inferior ao preço mínimo, para aqueles que decidirem estocar.
A falta de uma política de garantia de renda e a gestão do risco para o produtor também foram discutidas na reunião.
Recursos recordes para estocagem
O Conselho Nacional do Café (CNC), que representa os cafeicultores, afirmou após ser procurado pela Reuters que, apesar do cenário fiscal desfavorável no Brasil, o Funcafé disponibilizou recursos recordes para as linhas de Custeio e Estocagem este ano.
A estocagem conta com R$ 1,862 bilhão de reais para financiamentos em 2018, disse o CNC, acrescentando que até 21 de setembro haviam sido repassados R$ 1,263 bilhão aos agentes.
Já o custeio tem R$ 1,1 bilhão disponíveis, com R$ 577,5 milhões repassados também até 21 de setembro, segundo o CNC.
Segundo o órgão, o conselho já havia identificado a necessidade de mais capital para o ordenamento da oferta de café devido à perspectiva de uma safra maior, o que resultou nos recursos disponibilizados.
“Negociamos diretamente com o governo nesse sentido e fomos bem-sucedidos. Em verdade, também, o Funcafé já permite a conversão do crédito de Custeio para crédito de Estocagem anualmente”, acrescentou o CNC.
Para que a conversão ocorra, explicou o conselho, fica condicionada à substituição da garantia do crédito de custeio, até a data de seu vencimento, por penhor em sacas de café; ao pagamento do valor correspondente aos encargos financeiros pactuados e devidos até a data de formalização da conversão; e à permissão para que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a qualquer tempo e mediante prévia solicitação do Ministério da Agricultura, realize inspeções do estoque garantidor do crédito.
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