Sobe a 264 o número de mortos em protestos na Nicarágua, diz CIDH

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Manifestações começaram em 18 de abril contra uma reforma da previdência e se transformaram em um movimento contra o presidente Daniel Ortega. Imagem de 30 de junho mostra centenas de milhares de pessoas em manifestação em Manágua para lembrar crianças assassinadas em distúrbios dos últimos meses
Alfredo Zúñiga/AP Foto
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) elevou a 264 o número de mortes registradas na Nicarágua no contexto dos protestos contra o governo de Daniel Ortega, iniciadas em 18 de abril.
Conforme o registro da CIDH desde o início da repressão do governo aos protestos sociais, 264 pessoas perderam a vida e mais de 1.800 ficaram feridas, indicou o secretário Executivo da CIDH, Paulo Abrão, ao informar o conselho permanente da OEA sobre a situação na Nicarágua.
A Nicarágua vive um clima permanente de conflito, desde as manifestações iniciadas em 18 de abril contra uma reforma da previdência impulsionada pelo governo. As manifestações cresceram com a repressão do governo e se transformaram em um movimento contra o presidente Ortega.
Ortega governa o país desde 2007, com sua mulher Rosario Murillo como vice-presidente e braço direito.
‘Período tenebroso’
Nesta terça, Rosario Murillo defendeu a ação do governo para retirar barricadas e bloqueios de estradas montados por manifestantes, e declarou que o governo está vencendo um “período tenebroso” de protestos.
“Nosso governo está defendendo a paz, o direito à vida e à segurança (…), incluindo o direito à livre circulação de pessoas, veículos e mercadorias em todo território. Este é o nosso primeiro dever e estamos fazendo isto”, argumentou Murillo em seu mensagem diária na mídia estatal.
Murillo também afirmou que o governo está reconstruindo centros “que foram destruídos pelo terrorismo nas semanas passadas, graças a Deus, em um período tenebroso que estamos deixando para trás”.
“O compromisso do comandante Daniel Ortega é garantir o direito à segurança e à vida para (…) restaurar a tranquilidade que tínhamos” antes dos protestos, disse Murillo.