Mercados se recuperam após tombo por novo capítulo de guerra comercial

Economia

Índices asiáticos subiram após recuarem na véspera; analistas esperam alívio nas tensões comerciais nos próximos meses.  Navios com carga no porto de Qingdao, na China.
Chinatopix/AP
As ações e commodities voltaram a se recuperar nesta quinta-feira (12), com os mercados tentando se consolidar após as perdas da sessão anterior, quando temores de uma escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e China abalaram o ânimo dos investidores.
O governo norte-americano elevou o tom no conflito e ameaçou impor novas tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses na terça-feira. A alíquota de 10% entraria em vigor em pelo menos dois meses e atingiria uma série de bens, entre eles soja, aço, alumínio, produtos químicos e alimentícios.
Por volta das 8h20, horário de Brasília, as ações europeias operavam em alta, com o britânico FTSE subindo 0,8%, o alemão DAX subindo 0,6% e o CAC francês a aumentar 0,7%.
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O índice mais amplo da MSCI de acções da Ásia-Pacífico fora do Japão subiu 0,6%. O índice havia caído 1%na quarta-feira, juntamente com uma queda nas acções globais depois da ameaça do presidente norte-americano Donald Trump de impor tarifas sobre outros 200 mil milhões de bens chineses ter aprofundado a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo.
O Hang Seng Hong Kong subiu 1,0% e o Shanghai Composite Index saltou 2,2%.
As ações australianas subiram 1%, o KOSPI da Coreia do Sul teve valorização de 0,6% e Nikkei do Japão ganhou 1,3%.
“Os mercados tiveram algum tempo para digerir os últimos desenvolvimentos da guerra comercial e estão prontos para começar a se consolidar”, disse Masahiro Ichikawa, estrategista sênior da Sumitomo Mitsui Asset Management. “Espera-se que as pressões comerciais aliviem nos próximos meses através de negociações”, emendou.
O foco dos investidores está voltado para quais seriam os próximos passos no conflito comercial. A China acusou os Estados Unidos de intimidação e alertou que poderia reagir, embora a forma de retaliação não seja clara.
“As opções de retaliação disponíveis para a China incluem boicotar os produtos americanos, desvalorizando acentuadamente o yuan e vendendo títulos do Tesouro dos EUA”, escreveu Xiao Minjie, economista sênior da SMBC Nikko Securities em Tóquio, em nota.
“Mas acreditamos que nenhum desses movimentos é realista ou produtivo … a medida mais sábia na nossa visão é que a China acelere a abertura do seu mercado em vez de continuar a trocar golpes com os Estados Unidos”.
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Câmbio
O yuan da China fortaleceu-se 0,3% em relação ao dólar, recuperando parcialmente de um grande deslize no dia anterior e recuando das mínimas em 11 meses na semana passada.
O yuan firmou-se após o ponto-médio da moeda, estabelecido pelo Banco do Povo da China, não ter sido tão fraco quanto o mercado se preparava.
“Isso mostra que o banco central pretende estabilizar o mercado e acalmar os investidores. Uma especulação sobre a desvalorização do yuan não é do interesse das autoridades chinesas”, disse Qi Gao, estrategista de câmbio do Scotiabank em Singapura.
O dólar operava dinâmico, apoiado por crescentes tensões comerciais e pelos fortes dados de inflação dos EUA de quarta-feira.
O índice do dólar contra uma cesta de seis principais moedas está estável em 94.700 depois de ganhar 0,6% durante a noite.
Contra o iene, que geralmente fortalece em tempos de tensão política e turbulência do mercado, o dólar estendeu o seu rally durante a noite e subiu para 112,385 ienes, o maior nível desde janeiro.