EUA precisam provar a juiz que reuniram crianças imigrantes abaixo de 5 anos com pais

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Prazo para que crianças de até cinco anos voltassem para companhia dos pais venceu na terça-feira. Foto de junho mostra abrigo de menores de idade que foram separados de familiares na fronteira com o México
Handout/ U.S. Customs and Border Protection/ AFP
O governo dos Estados Unidos precisa convencer um juiz nesta quinta-feira (12) de que cumpriu uma ordem judicial e reuniu as crianças imigrantes com menos de 5 anos que foram separadas dos pais depois de cruzarem a fronteira com o México.
Em 26 de junho, o juiz federal Dana Sabraw, do Tribunal de San Diego, ordenou que o governo reunisse as crianças de 5 anos aos pais até a terça-feira (10). Ele deu o prazo de 26 de julho para que todas as crianças separadas na fronteira voltem para a companhia do representante legal.
O governo tem até as 15h (19h em Brasília) desta quinta para informar ao juiz se cumpriu o prazo estabelecido e para explicar ao juiz quantas crianças ainda precisam ser reagrupadas, segundo a Reuters.
Um comunicado divulgado nesta quinta pelo departamento de Segurança Interna americano afirma que 103 crianças poderiam ser afetadas pela decisão judicial. Dessas, 57 já voltaram para a companhia dos pais, mas 46 não se encaixariam nos critérios estabelecidos pelo tribunal.
Os motivos estariam relacionados aos adultos (um recebe tratamento por uma doença transmissível, outro seria acusado de abuso sexual de uma criança ou ainda 11 deles cometeram crimes graves ou cumprem penas nos EUA, entre outras causas). De acordo com o governo americano, 12 responsáveis já foram deportados e estão sendo contactados pela administração.
Na noite de quarta-feira (11), uma autoridade do governo disse que todas as crianças com menos de 5 anos que são candidatas à reunificação estariam com seus pais até a manhã desta quinta-feira, de acordo com a Reuters.
O grupo União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que processou o governo por causa de sua política de separações, questionou esta afirmação.
“Sua declaração é no mínimo vaga. Sabemos que eles perderam o prazo”, disse o advogado Lee Gelernt. Sabraw pediu à ACLU que proponha penalidades no caso de descobrir que o prazo não foi cumprido.
Separação polêmica
Desde que os EUA colocaram em prática a polêmica estratégia de “tolerância zero” contra a imigração ilegal, o governo de Trump separou de seus pais mais de 2 mil menores que atravessaram a fronteira do país com o México.
A divulgação de um áudio com crianças chorando ao serem separadas de seus familiares ao entrar nos Estados Unidos chamou a atenção para o problema.
Pressionado, Trump aprovou uma ordem executiva que suspendia a separação das famílias na fronteira. Porém, o novo decreto não falava sobre as medidas que seriam tomadas para reunir as famílias. Na prática, a execução da determinação é dificultada por problemas burocráticos e logísticos. O país não possui a infraestrutura necessária para a manutenção dessas famílias detidas por longos períodos.
Atualmente, as famílias de imigrantes estão abrigadas em instalações na Pensilvânia e no Texas que têm uma lotação total de cerca de 3,3 mil camas e já estão com uma taxa de ocupação de 79%, de acordo com a Agência de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
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