Venezuelanos vão poder ingressar em cursos de graduação da UFRR sem vestibular

Brasil

Novo programa permite que imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio ocupem vagas ociosas em cursos de graduação; eles terão de fazer seletivo e aulas de português. Medida pode evitar que a UFRR perca recursos. Estrangeiros farão prova classificatória para ingressar na UFRR e ocupar vagas ociosas
Valéria Oliveira/G1 RR/Arquivo
Um programa que permite o ingresso sem vestibular de imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio em cursos de graduação foi aprovado na Universidade Federal de Roraima (UFRR).
O Programa de Acesso à Educação Superior foi aprovado no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFRR no final de junho. Ele permite que vagas ociosas remanecentes de processos seletivos de segunda gradução e transferência sejam ocupadas por imigrantes em situação de vulnerabilidade.
Os candidatos não farão vestibular, mas sim um seletivo classificatório, que será conduzido pela Comissão Permanente de Vestibular (CPV). O ingresso de estudantes nesta modalidade deve começar em 2019.
A prova inclui redação em língua portuguesa, e conhecimentos específicos levando em consideração o curso escolhido. Eles também deverão cursar uma disciplina de português instrumental, ou equivalente.
O programa também auxilia os estrangeiros encontram dificuldades para validarem os seus diplomas e os que ainda não possuem curso universitário.
“Para os imigrantes em situação de vulnerabilidade, o programa representa uma oportunidade de se inserir melhor no competitivo mercado brasileiro”, avaliou o professor do curso de Relações Internacionais da UFRR, Gustavo Simões.
Para o reitor, a recente decisão gera benefícios para a instituição, porque permite o preechimento de vagas ociosas, evitando que a UFRR perca recursos.
“O não preenchimento total das vagas nos cursos de graduação traz impactos diretos à nossa Instituição como salas parcialmente vazias e a consequente diminuição dos recursos financeiros enviados à UFRR”, explicou o reitor, professor Jefferson Fernandes.
Desde 2015, Roraima enfrenta o desafio de receber um número crescente de imigrantes que fogem do regime de Nicolás Maduro em razão da crise de desabastecimento, remédios e a hiperinflação que corrói a economia do país. Em um levantamento recente, a prefeitura de Boa Vista apontou que só na capital há 25 mil venezuelanos.
Requisitos
A participação no processo seletivo e posterior matrícula dos alunos refugiados poderá ser feita mediante apresentação de protocolo de refúgio ou comprovante da condição de refúgio expedido pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).
Já os imigrantes em situação de vulnerabilidade deverão comprovar sua regularidade imigratória por meio de declaração que o coloque como residente permanente do Brasil.
Os candidatos deverão indicar o curso pretendido no momento em que efetuarem a inscrição. O imigrante apenas poderá ocupar vaga em um curso de graduação.
Provas e curso de português
Todos os inscritos deferidos deverão passar por uma seleção eliminatória e classificatória composta por duas provas: redação em língua portuguesa e uma avaliação de conhecimentos específicos levando em consideração o curso escolhido.
A resolução aprovada prevê ainda que, após matriculados, os estudantes selecionados deverão cursar uma disciplina de português instrumental (ou equivalente) por no mínimo um semestre.