Professores da rede estadual decidem manter greve em Divinópolis após assembleia em BH

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Segundo SindUTE, cerca de 20 mil alunos estão sem aulas na cidade em que 21 escolas aderiram integralmente ao membro que cobra pagamento de salários atrasados. Segundo SindUTE, cerca de 20 mil alunos estão sem aula em Divinópolis
Reprodução/TV Integração
Os professores da rede estadual de Divinópolis decidiram nesta terça-feira (19) manter a greve anunciada na quinta-feira (14) para cobrar a regularização dos salários e o pagamento das contas das escolas.
A informação foi confirmada pela presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE), Maria Catarina Vale, no início da noite, após assembleia da categoria em Belo Horizonte para definir os rumos da paralisação.
Desde fevereiro de 2016, os servidores mineiros são pagos de forma escalonada. O Governo de Minas alega que a medida é consequência de uma crise financeira enfrentada pelo Estado.
Neste mês, a situação se agravou e o governo estadual atrasou o pagamento da primeira da primeira escala, prevista para 13 de junho. Com isso, os servidores com ganhos de até R$ 3 mil mensais que, até então eram pagos integralmente, receberam a notícia de que teriam o salário dividido em até quatro parcelas.
Com escolas estaduais paralisadas em Divinópolis, mais de 20 mil alunos sentem reflexos
Procurada pelo MGTV, a Secretaria de Estado de Fazenda informou que, em função do fluxo insuficiente de caixa em junho, os servidores inativos tiveram uma parcela de R$ 500 depositada em conta nesta terça-feira.
Ainda segundo a secretaria, a maioria dos servidores ativos recebeu a primeira parcela no dia 13 de junho. Porém, devido à situação financeira, há servidores ativos que receberam R$ 1.500 na última sexta-feira (15). O valor restante da primeira parcela, conforme a secretaria, será depositado à medida em que o fluxo de caixa for se normalizando.
Já a Secretaria de Estado da Educação disse que foi notificada pelo SindUTE sobre a paralisação e que, no Estado, 844 escolas estão totalmente paralisadas.
Paralisação
Segundo o SindUTE, cerca de 20 mil alunos estão sem aulas em Divinópolis. Na cidade, 21 escolas aderiram à paralisação totalmente, quatro paralisaram os serviços de forma parcial e outras nove continuam funcionando, informou o sindicato. Nesta segunda-feira (18), houve manifestação na área central do município.
A sede da Superintendência Regional de Ensino (SRE) na cidade também interrompeu o atendimento. O SindUTE informou que a greve será mantida até o Governo de Minas depositar a primeira parcela dos salários de todos os servidores da educação.
De acordo com o SindUTE, o salário começou a ser parcelado nos últimos meses e os professores não receberam o pagamento referente ao mês de junho.
“Como eu faço pra pagar a prestação da minha conta? Se eu atrasar dois meses, o banco vem e me tira ela. Como eu faço pra contribuir com o Prefeito da cidade, porque eu não paguei o IPTU? Como eu faço pra contribuir com o comércio, no geral, e aquecer a economia, se eu não tenho dinheiro nem pra pagar as contas?”, indagou o professor Orlando Gouveia Nehls.
Prejuízos
As aulas da escola onde a enteada do motorista Eudes Gomides dos Santos estuda, no Bairro São Luís, estão suspensas desde sexta-feira. Como ela estuda em tempo integral, Santos e a esposa tiveram que arrumar pessoas para cuidar da criança.
“Está complicado porque eu sou motorista viajante. A minha mulher trabalha o dia inteiro e estuda à noite. Tivemos que arrumar uma pessoa pra olhar a criança, porque não está tendo aula. Na sexta-feira, ela [a esposa] chegou na escola para deixar a menina e deu de cara com o portão fechado”, contou.
Quem trabalha com o transporte escolar também conta ter sofrido prejuízos. Segundo Jaqueline Rabelo Rios Amaral, proprietária de uma van que realiza o serviço, metade dos alunos transportados por ela está sem aula e, como ela não sabe quando as escolas serão reabertas, o clima é de incerteza.
“Nós estamos trabalhando ainda com a outra metade dos alunos, que é da rede particular, mas ficamos incertos porque a situação fica incerta. Não sabemos quando vai voltar”, afirmou.