Reino Unido pede reunião do Conselho de Segurança por ofensiva no Iêmen

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Forças do Iêmen e aliados iniciaram maior ofensiva contra uma cidade controlada por rebeldes xiitas. Coluna de veículos e forças pró-governo do Iêmen chegam nesta quarta-feira (13) em al-Durayhimi, a cerca de 9 km a sul do aeroporto de Hodeidah
Nabil Hassan/AFP
O Reino Unido solicitou nesta quarta-feira (13) uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para analisar a ofensiva lançada por forças leais ao presidente do Iêmen e da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita contra o porto da cidade iemenita de Al Hudeidah, que atualmente é controlada pelos rebeldes houthis.
Segundo fontes diplomáticas, espera-se que o encontro aconteça amanhã, quinta-feira, mas, até o momento, não foi convocado oficialmente.
O Conselho de Segurança já discutiu nesta segunda a situação no Iêmen, em meio a gestões por parte das Nações Unidas para tentar evitar a operação militar contra Al Hudeidah, dado que ela poderia ter consequências devastadoras para a população civil, segundo a organização.
Apesar dos pedidos da ONU, as forças iemenitas e seus aliados iniciaram nesta quarta a ofensiva, a maior contra uma cidade controlada pelos rebeldes xiitas desde o início da intervenção da aliança no conflito, em março de 2015.
O presidente do governo iemenita reconhecido internacionalmente, Abdo Rabu Mansour Hadi, convocou nesta quarta o seu exército e as forças aliadas para que “libertem militarmente” Al Hudeidah, evitando a possibilidade de negociar com os houthis, que contam com apoio do Irã.
Operações militares
A ofensiva, denominada como “Vitória de Ouro”, conta com o apoio dos aviões da coalizão árabe, que realizaram bombardeios contra alvos no sul e no leste da cidade.
Pelo menos 10 mil soldados das forças de Iêmen, Sudão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos participam das operações militares, que se dirigem contra o aeroporto de Al Hudeidah, situado ao sul da cidade, indicaram à Agência Efe fontes militares.
A ONU advertiu que uma ofensiva nessa cidade poderia afetar a vida de mais de 600 mil civis que vivem atualmente na localidade e arredores.
Além disso, o porto de Al Hudeidah é um ponto crucial para a entrada de ajuda e alimentos no Iêmen, que vive a pior crise humanitária de todo o mundo.
Entenda o conflito
A tensão no Iêmen começou a se acirrar na Primavera Árabe, em 2011, quando os rebeldes xiitas houthis participaram de protestos contra o então presidente e se aproveitaram de um vácuo no poder para expandir seu controle territorial em algumas regiões do país. O grupo rebelde é respaldado pelo Irã, também xiita, e reivindica mais participação no poder.
5 pontos para entender a guerra civil no Iêmen
Após anos expandindo seu controle, em setembro de 2014 os houthis conquistaram a capital, Sanaa. No início de 2015, o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi foi forçado a fugir para outra cidade do Iêmen e depois para a Arábia Saudita. Os houthis dissolveram o Parlamento e formaram um conselho presidencial para governar.
Em março de 2015, a Arábia Saudita passou a liderar uma aliança árabe para conter o avanço dos houthis. A aliança tem o apoio dos Estados Unidos e faz bombardeios aéreos constantes às áreas dominadas pelos rebeldes. No entanto, até hoje não conseguiu recapturar Sanaa.
Além dos houthis, apoiados pelo Irã, e do presidente Hadi, apoiado pela Arábia Saudita, a disputa de poder no Iêmen inclui tribos sunitas, a Al-Qaeda e até o Estado Islâmico.