Presidente do IBGE confirma impacto negativo da greve dos caminhoneiros na produção do país

Economia

Roberto Olinto disse que cálculos precisos ainda estão sendo feitos, mas adiantou que houve prejuízos às contas nacionais. Ele descartou possibilidade de cortes no orçamento do instituto. O presidente do IBGE, Roberto Olinto, concedeu coletiva de imprensa para comentar sobre seu primeiro ano à frente do instituto.
Taís Laporta/G1
O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto, confirmou nesta segunda-feira (11) que a paralisação dos caminhoneiros vai impactar o resultado da produção do país no segundo trimestre. Os cálculos precisos ainda estão sendo feitos, ponderou.
“É preciso quantificar a destruição de mercadorias, observar os preços e ver a restabilização nos patamares antigos”, disse Olinto.
Segundo o presidente do IBGE, a questão é saber se o impacto nos preços, por exemplo, vai ser de longo prazo ou de curto prazo. “Não tenho a menor evidência de que isso [a greve dos caminhoneiros] matou o mês”, afirmou em entrevista coletiva na sede do instituto.
Consultorias e economistas já estão reduzindo a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruno (PIB) para 2018.
O presidente do IBGE destacou que a Pesquisa de Orçamentos Famíliares (POF) está na reta final e os primeiros resultados devem ser divulgados já em 2019. A prioridade, de acordo com Olinto, é atualizar os pesos dos produtos analisados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A última atualização foi feita em 2012, com dados da POF realizada em 2009. Desde então os hábitos de consumo dos brasileiros mudaram e, com isso, a fatia do orçamento gasto com alguns itens também mudou.
Censo Demográfico e aumento de pessoal
A proposta inicial do IBGE é de que o Censo Demográfico 2020 custe R$ 3,4 bilhões, informou Olinto. As conversas com o governo para desembolso desse valor já tiveram início, mas ainda não avançaram.
Desse custo, cerca de 70% é referente à contratação de pessoal que irá a campo. A previsão é de 300 mil recenseadores que trabalharão durante 3 meses. O Censo é realizado a cada 10 anos.
Olinto informou ainda que o IBGE está discutindo com o governo a reposição de pessoal. “Encaminhamos um pedido de 1.800 vagas para recuperar a infraestrutura do IBGE”. De acordo com ele, o instituto já teve 12 mil profissionais. Atualmente, são 5.300.
Questionado sobre o risco de haver cortes no orçamento do IBGE com a chegada de um novo governo, Olinto descartou. “Trabalhamos com a ideia que estamos blindados, porque é interesse de todos que essas informações sejam divulgadas”, acrescentou.
Censo agropecuário
O presidente do IBGE também afirmou que fará a divulgação dos resultados do Censo Agropecuário no final de julho. Segundo Olinto, a maior parte do levantamento terminou no mês passado, mas ainda há um rescaldo que está sendo coletado.
“Faremos a divulgação no final de julho com dados preliminares. O rescaldo é uma coisa pequena, que não afeta a divulgação”, afirmou em entrevista coletiva.
O censo custou cerca de R$ 550 milhões, valor bem inferior ao orçamento inicial, que era de cerca de R$ 1,6 bilhão. A redução ocorreu com uma menor contratação de recenseadores, maior tempo de coleta e redução da publicidade e propaganda do Censo. O menor custo também foi possível com a digitalização do processo, que o tornou mais eficiente.
Ao todo, 26 mil recenseadores trabalharam no Censo, além de mais 3 mil profissionais. Inicialmente, estavam previstos 80 mil profissionais temporários, segundo Olinto. Foram feitas 7 milhões de visitas e foram encontrados em torno de 5,3 milhões de estabelecimentos.